Julho das Pretas - Tradição, Persistência e Ancestralidade

No dia 25 de julho, celebramos o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana, Caribenha e da Diáspora - alusão I Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Caribenhas ocorrido em Santo Domingo, República Dominicana, nesta mesma data de 1992 -, além do Dia Nacional de Tereza de Benguela, que relembra a luta e resistência quilombolas de Quariterê (MT) sob a liderança de Rainha Tereza (1730-1770) em Lei Federal promulgada pela ex-presidenta Dilma Rousseff (Lei 12.987/2014). Em razão disso, para muitas instituições e por muitas pessoas, o período abrangido pela série de celebrações em torno da efeméride é conhecido como o Julho das Pretas. Marcar o mês com atividades ligadas aos debates sobre as opressões racial, de gênero e classe, a ascensão e inserção de mulheres negras cis e trans, por exemplo, na política foi parte da estratégia adotada para trazer reflexões necessárias acerca do do lugar ocupado por esta parcela da população ao conjunto da sociedade brasileira, ao passo que, simultaneamente, articulações multissetoriais pelo enfrentamento desta realidade são reelaboradas e discutidas. Nosso posicionamento também é resultado da certeza de que, quando mulheres negras forem efetiva e proporcionalmente representadas, a consolidação democrática à brasileira sempre tentada estará efetivada, porque sob os princípios da justiça e reparação raciais. Nossa convidada Fátima Lima, antropóloga, Professora Associada do Centro Multidisciplinar UFRJ – Macaé, nordestina, colaboradora da Casa das Pretas e coordenadora do Grupo de Estudo e Pesquisa ORI - Grupo de Estudo e Pesquisa em Raça, Gênero e Sexualidade/CNPq, afirma: "Tem muita produção de mulheres negras para a gente conhecer e aprender!". Jaqueline Gomes de Jesus, professora de Psicologia do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e do Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz (DIHS/ENSP/Fiocruz), fala sobre sistema acadêmico e a importância da educação diversa. Nossa convidada Raquel Barreto, historiadora e pesquisadora especializada no trabalho das autoras Angela Y. Davis (1944) e Lélia Gonzalez (1935-1994), fala sobre o movimento negro e a produção de conhecimento de intelectuais negras, citando Lélia Gonzalez (1935-1994) e Beatriz Nascimento (1942-1995) como principais referências históricas. Melina de Lima, historiadora e neta da grande intelectual e ativista Lélia Gonzalez (1935-1994), coautora do Projeto Lélia Gonzalez Vive e Diretora de Educação e Cultura do Instituto Memorial Lélia Gonzalez (início em breve), fala sobre filosofia africana, produção intelectual-teórica de mulheres negras, suas contribuições históricas aos movimentos negro e feminista e a falta de democracia racial no país. Nossa convidada Idelzuíta Ribeiro da Paixão, matriarca e neta dos fundadores do Quilombo Mimbó, na zona rural de Amarante (PI), conta-nos sobre a história de sua família e construção do Quilombo Mimbó. Fontes de pesquisa: Geledés, Brasil Escola e G1. AGRADECIMENTO: O Canal Preto gostaria de agradecer a participação de nossas convidadas.

Muralismo, HQs e Arte Gráfica Negros

A representação de negros e negras nas artes brasileiras em geral (literatura, pintura, teatro, cinema, música popular) deixa muito a desejar. Um dos questionamentos mais frequentes feitos pelos afro-brasileiros e brasileiras é o de que não são representados(as) como personagens individualizados(as) e profundos(as), mas tão só arquétipos e estereótipos. Observa-se que a imagem do negro ou negra é e foi apresentada, por diversas vezes, de maneira superficial e estereotipada, quando não ainda pautada na depreciação, minimização ou negação existencial. É fato que o mercado de arte tem direcionado-se nos últimos anos, finalmente, à produção de artistas negros, negras e não brancos(as), o que pode ser visto como uma tendência de reversão de uma longa história de negligência ou simplesmente meio de satisfazer o voraz apetite do capitalismo comercial do setor por "novos produtos". Apesar ou não deste debate, há muito o que ser celebrado quanto à valorização e ao reconhecimento de múltiplas representatividades e suas narrativas. Desejo coletivo é que as meninas e meninos negros, e também não negros, de nosso país abram um livro, vejam a arte de um(a) igual ou conheçam a história de um artista negro ou negra. Outro desejo ainda é que aquela criança preta, e também não preta, do bairro possa se inspirar ao ver imagens positivas/positivadas da mulher e do homem negros grafitada nos muros ou no centro da cidade, incluindo-se as representações visual-conceituais de outras etnias e raças. Deste equilíbrio de valores, poder e bens em nossa sociedade, os padrões de beleza midiáticos e/ou de todas as comunicações de massa serão, porque diversos, multiculturais.

Funk: Festas, Moda e Economia Criativa

A repressão policial faz parte da realidade dos bailes de subúrbio, sobretudo negros, desde a década de 1970. Os bailes passaram do soul para o 150bpm, mas a cultura negra segue criminalizada no Rio de Janeiro, em São Paulo e outros estados do Brasil. O funk carioca aparece na década de 1980. Sua origem é a mistura das batidas eletrônicas do hip hop, da poesia do rap e da habilidade de DJs em mesclar batidas repetitivas com a melodia. A temática das letras está ligada diretamente ao cotidiano da favela ou do subúrbio. Atualmente, o funk se divide em diversos subgêneros, como funk melody (de temática romântica e sem apelo considerado explicitamente sexual), funk ostentação (linha que exalta a riqueza e certa vida luxuosa), funk proibidão (cujo retrato é, majoritariamente, o da realidade de comunidades e favelas sob o tráfico de drogas) e new funk (que une funk ao dance-pop). O funk ainda é rejeitado, quando não criminalizado, em razão do racismo antinegro e do preconceito de classe. A rejeição vai além da barreira do gênero musical, pois trata-se de ritmo que incomoda, principalmente, a parcela da sociedade (branca) historicamente privilegiada. O funk é uma manifestação cultural das massas, do povão e, sobretudo, da juventude negra, pobre e favelada. É importante ressaltar que outras produções culturais criadas no bojo dos movimentos negros brasileiros e/ou da diáspora negro-africana também já foram criminalizadas no passado, como a capoeira, o samba e o rap. Diversas outras manifestações culturais são marginalizadas, incluindo-se as religiões de matriz africana e afro-brasileira, como a umbanda e o candomblé, sistematicamente perseguidas até os dias atuais. MC Zuleide, compositora, comunicadora, poetisa e ambulante do Leme, conta-nos sobre sua vivência como MC e seus sonhos. Nosso convidado DJ Def Brks, membro e fundador do Grupo Original Flow Kidz, idealista e produtor do Coletivo de DJs VinteRoom, DJ, produtor musical, cultural e criador do "Breaking", formato inovador de Breakbeats BR em fusão com o funk carioca, fala sobre o funk ser popular e acessível. Luciane Soares da Silva, professora associada da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), chefe do Laboratório de Estudos da Sociedade Civil e do Estado (LESCE) e coordenadora do Núcleo de Estudos Cidade, Cultura e Conflito (NUC), fala sobre a criminalização do funk, ação policial e a economia do baile. Nossa convidada Tássia Seabra, produtora, mulher preta, aceleradora cultural, comunicadora social, roteirista e diretora de diversos videoclipes, fundadora e coordenadora do Coletivo Ibura Mais Cultura e CEO da Agência Seabra, que profissionaliza artistas periféricos independentes para disputar o mercado fonográfico, afirma: "A gente entende que o funk é uma via, uma opção de sobrevivência para jovens negros periféricos longe da violência". Renata Prado, dançarina, professora, coreógrafa de funk, pesquisadora, produtora, coordenadora da Frente Nacional de Mulheres do Funk e da Academia do Funk e estudante de Pedagogia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), fala sobre o resgaste da cultura do funk, da juventude negra e economia criativa. Fontes de pesquisa: UOL, El País, Hysteria, Estadão e Brasil de Fato. AGRADECIMENTO: O Canal Preto gostaria de agradecer a participação de nossas convidadas e convidado.

Cabelo é poder! Ancestralidade, Memória e Revolução Estética

Considerado por muitos e muitas apenas um instrumento estético, o cabelo vai muito além disso. A simples opção por um corte ou penteado diz bastante sobre a personalidade de uma pessoa. Para os negros e negras que, especialmente desde a década de 1950, desfilam com seus Black Power imponentes, o cabelo transcende o campo da beleza e significa um encontro com a identidade, além de uma ferramenta de afirmação. A trajetória do black power tem início ainda nos anos 1920, quando Marcus Garvey (1887-1940), tido como precursor do ativismo negro pan-africanista na Jamaica, insistia na necessidade de romper com padrões de beleza eurocêntricos para, a partir disso, promover o encontro de negros e negras em diáspora com suas raízes africanas. Décadas depois, nos Estados Unidos, o afro também começou a ganhar espaço e se tornou outra das bandeiras protagonistas da luta preta por direitos civis nos anos 1960. No entanto, foram as mulheres negras as mais propulsoras desta história. Condicionadas desde o tempo da escravização a alisarem o cabelo, elas "bateram o pé" e decidiram andar pelas ruas ao natural, causando o espanto, o horror e a reação da comunidade branca. Há quase 70 anos, a luta da (auto)valorização estética como identidade na diáspora, em que o cabelo e sua naturalidade sobressaem-se aos padrões de beleza ocidentais, consolida-se como instrumento de resistência e cultura. Neste contexto, seja na política ou nas artes, o black power foi e é símbolo que transcende as fronteiras da beleza e significa para o negro e negra o resultado da luta de seus, suas ancestrais pela determinação em manter viva a identidade de quem lutou por direitos. Nesta busca, cabelo é identidade e também símbolo de respeito e autoafirmação. Nossa convidada Amanda Coelho (Diva Green), mulher preta, mãe, artista capilar, trançadeira, peruqueira e mayakeira, fala sobre suas vivências, beleza e estética negras. Carolina Pinto, advogada, empresária, gerente jurídica em uma empresa de tecnologia e fundadora do RAS, primeiro salão de luxo especializado em tranças do Brasil, fala sobre o crescimento das transições capilares e o resgaste das tranças. Vitor Gomes, hair sytle afro, criador e fundador do Príncipe das Tranças, espaço com foco de atuação em cortes e cuidados em cabelos afro, trancista e cabeleireiro afro especialista em cabelos crespos e cacheados, afirma: "Cabelos são resultados de hábitos e culturas. É sobre falar de autocuidado e reafirmar: 'você é bonita sim!'. Trabalhar com estética preta é empoderar". Nossa convidada Gabriela Isaias, fotógrafa documental, escritora e pesquisadora, doutoranda e mestra em Comunicação e Cultura pela UFRJ, pesquisadora das identidades culturais e estéticas da diáspora africana e autora da reportagem digital "Nesse canto do mundo: a ressignificação das tranças africanas no Rio de Janeiro" (2018) e da dissertação "O comprimento do desejo: cabelos longos e as performances negras do feminino" (2022), fala sobre saberes geracionais e a revolução estética negra capilar. Fontes de pesquisa: Afreaka, Alma Preta, Fashion Bubbles, Mercadizar, Salão Virtual e Purebreak. AGRADECIMENTO: O Canal Preto gostaria de agradecer a participação de nossas convidadas e convidado.

Todas As Vidas Importam: Existências LBTTGIAPN+ e Orgulho

TODAS AS VIDAS NEGRAS IMPORTAM: EXISTÊNCIAS LBTTGIAPN+ E ORGULHO Segundo o estudo "Qual é a cor do invisível? A situação dos direitos humanos da população LGBTI negra no Brasil" (Instituto Internacional sobre Raça, Igualdade e Direitos Humanos, 2020), existe um padrão de violações sistemáticas às pessoas LGBTI negras que as exclui do acesso à educação, à saúde e ao mercado formal de trabalho. Somadas a isso, a brutalidade policial, violências raciais e LGBTI+fóbicas associadas pioram a qualidade, esperança e expectativa de vida do grupo no país recordista em seu genocídio no mundo. O estudo destaca que uma de suas limitações é contar apenas com os dados de violências atendidas e notificadas nos serviços de saúde via Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). "Portanto", afirmam os autores, "presume-se que há subnotificação dos casos e que os dados apresentados não revelam a prevalência de violência vivenciada pela população LGBT". Apesar disso, o índice apresentado é considerado mais abrangente do que os dados coletados em delegacias ou denúncias por telefone. Correlacionando os números e perfis de quem são agentes protagonistas na luta por direitos básicos, o dossiê do Instituto Internacional sobre Raça, Igualdade e Direitos Humanos reitera que existem diferenças importantes na vivência sobre sexualidade e identidade, quando a questão é racializada – entre as experiências de pessoas LGBIAPN+ brancas e negras, cis, trans e travestis –. O mesmo estudo avalia esta dessemelhança por meio da tese defendida pelo pesquisador e ativista negro e gay da Rede Afro LGBT (BA) Washington Dias: "Há questões diferentes. Enquanto os gays brancos lutam por matrimônio e igualdade, a realidade para a imensa maioria dos negros gays é lutar pela sobrevivência", pontua. Urge-se debater o genocídio da população negra, a desmilitarização da polícia, para além da formação em direitos humanos das forças de segurança, discutir e aperfeiçoar a produção estatística e efetuar reparações à série de violências historicamente perpetrada, já que o quadro afeta pessoas negras LGBTs e toda a negritude. Como consequência, a sociedade brasileira torna-se, em seu conjunto, algoz destas populações, porque reprodutora dos "armários", invisibilizações e apagamentos diversos. Estes debates entrecruzados nunca devem ser, portanto, apartados. Fênix Zion, multiartista, pioneire alagoane, dançarine, professore de dança, produtore de moda, instrutore de passarela, stylist e escritore, fala sobre o movimento negro e cita Conceição Evaristo para falar de sua reeducação enquanto pessoa negra brasileira. Fel Lara, criador da marca afrourbana Roupas Lara (@roupas.lara) e videomaker graduado em Audiovisual pelo Centro Universitário Senac, afirma: "Meu corpo é livre, minha identidade é livre e minha expressão é livre!". Baobá, artista independente da música, teatro, canto, composição, performance e hairstylist, fala sobre avanços da luta LBTTGIAPN+, expectativas para o futuro e arte. Will Oliver, compositora, artista não binário, pansexual e não monogâmica, fala sobre padronizações, falta de afeto, dores e traumas. Fontes de pesquisa: Yahoo Notícias, Revista Galileu, Literafro, Them, Esqrever. Glossário Sorofobia: medo, aversão ou preconceito contra pessoas que vivem com HIV. Xenofobia: medo ou desconfiança de pessoas estranhas àquele território, em geral, estrangeiras. AGRADECIMENTO: O Canal Preto gostaria de agradecer a participação de nosses convidades. Fênix Zion – Multiartista, pioneire alagoane, dançarine, professore de dança, produtore de moda, instrutore de passarela, stylist e escritore. Fel Lara – Criador da marca afrourbana Roupas Lara (@roupas.lara) e videomaker graduado em Audiovisual pelo Centro Universitário Senac. Baobá – Artista independente da música, teatro, canto, composição, performance e hairstylist. Will Oliver – Compositora, artista não binário, pansexual e não monogâmica. Racismo. Ou você combate, ou você faz parte. Qual dos dois é você?

Presença Digital Negra - Black Digital Influencers

Com o uso expressivo das redes sociais na última década, a Internet possibilitou a descentralização e o maior consumo de informações, aspectos que geraram uma identificação imediata do público com produtores e produtoras de conteúdo em ambiente digital. Seja o dia a dia ou qualquer outro assunto a envolver o comportamento de tais perfis, os chamados "seguidores" e "seguidoras" permanecem diariamente atentos e atentas, por vezes durante 24h ininterruptas, às atualizações, garantindo audiência a quem deseja firmar-se referência em seus respectivos campos de atuação – ou não. Enquanto novo meio de comunicação, as mídias digitais possibilitaram a ascensão de uma pluralidade de vozes, sedentas por mostrarem quem são, o que podem oferecer ao mundo e dialogar com os seus e suas iguais, como é o caso dos perfis on-line de personalidades negras. Entretanto, qual um mercado, os números se tornaram sinônimo de nível de influência e formação de opinião pública – entre seguidores(as), likes e comentários –, o que possibilita à audiência, em especial de companhias e marcas, amplo panorama de quanto um perfil pode impactar em seu meio. Nossa convidada Yolanda Frutuoso, social media e produtora de conteúdo no Catraca Livre (Projeto Diversa), criadora do canal "Afrobetizando" (YouTube) e social media do projeto Bitonga Travel (coletivo de mulheres negras viajantes), afirma: "Meu projeto só existe graças às redes sociais, que possibilitaram este empoderamento estético e intelectual". João Marcos da Silva Bigon, escritor e analista de Projetos de Educação e Letramento Racial no Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), professor de História, mestre em Relações Étnico-raciais (Cefet-RJ), produtor de conteúdo digital e educador social, afirma: "Este novo universo, esta nova linguagem que a internet desenha só revelam que o nosso povo é o povo da tecnologia". Nossa convidada Paula Batista, jornalista, educadora antirracista, especialista em Mídia, Informação e Cultura pela Universidade de São Paulo (USP), mestra em Divulgação Científica e Cultural pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e criadora do "Ser antirracista" – onde se dedica à educação antirracista, letramento racial para a promoção da igualdade racial e combate ao racismo –, fala sobre a importância da representatividade no campo digital. Fontes de pesquisa: Ceará Criolo, Veja Rio, Mundo Negro, Deezer, TramaWeb, Racismo Ambiental, Correio Braziliense, Elástica, Jota.info, Conexis, n-1 Edições, The Intercept. O Canal Preto gostaria de agradecer às nossas convidadas e convidado. João Marcos da Silva Bigon - Escritor e analista de Projetos de Educação e Letramento Racial no Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), professor de História, mestre em Relações Étnico-raciais (Cefet-RJ), produtor de conteúdo digital e educador social. Paula Batista - Jornalista, educadora antirracista, especialista em Mídia, Informação e Cultura pela USP, mestra em Divulgação Científica e Cultural pela Unicamp e criadora do "Ser antirracista", onde se dedica à educação antirracista, letramento racial para a promoção da igualdade racial e combate ao racismo. Yolanda Frutuoso - Social media e produtora de conteúdo no Catraca Livre (Projeto Diversa), criadora do canal "Afrobetizando" (YouTube) e social media do Projeto Bitonga Travel, coletivo de mulheres negras viajantes. Racismo. Ou você combate, ou você faz parte. Qual dos dois é você?

Empreendedorismo Negro e Novas Economias pela Revolução Estética

Segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), no Brasil, pessoas negras representam maioria no setor empreendedor. Entre 2002 e 2012, 50% dos(as) micro e pequenos(as) empresários(as) se autodeclararam pretos(as) ou pardos(as), enquanto 49% se autoafirmaram brancos. É a primeira vez que o número de empreendedores(as) afrodescendentes superou o de brancos(as). Empreendendo em setores de menor lucratividade, como o agrícola, o ambulante e o cabeleireiro, negros e negras acumulam renda menor que a de empresários e empresárias não negros(as). O rendimento do empresariado branco, que domina o setor de máquinas e serviços de saúde, por exemplo, é 112% superior ao de seu congênere negro. A ex-ministra da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Matilde Ribeiro, que exerceu seu mandato durante uma das duas gestões do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, afirma que "os indicadores do mercado de trabalho revelam que o empreendedorismo para a população negra surge e se mantém a partir das necessidades cotidianas, tendo em vista o racismo institucional muito presente no mundo do trabalho", conclui. Ainda de acordo com os dados, 41% das pessoas pretas e pardas que exercem a atividade empreendedora estão no Nordeste, região onde o empreendedorismo negro predomina. O presidente do Sebrae, Luiz Barreto, afirma que o avanço de negros e negras como empresários e empresárias indica que as políticas sociais realizadas para este grupo têm se mostrado eficazes, pontuando também a criação da figura jurídica do Microempreendedor Individual (MEI) como fator importante à atual realidade dos empreendedores negros e negras do país. Nossa convidada Amanda Coelho, mais conhecida como Diva Green, mulher preta, mãe, artista capilar, trançadeira, peruqueira e mayakeira, afirma: "Eu crio minha empresa, que vem também para transbordar minhas experiências". Carolina Pinto, advogada, empresária, gerente jurídica em uma empresa de tecnologia e fundadora do RAS – primeiro salão de luxo especializado em tranças do Brasil –, fala sobre o campo digital, mercado financeiro e Black Money (ou dinheiro preto, produzido e circulado por, para e entre pessoas negras). Nossa convidada Taynara Alves, formada em Gestão de Negócio e Inovação e sócia do RAS – primeiro salão de luxo especializado em tranças do Brasil –, fala sobre memórias ancestrais, empreendedorismo negro e negócios de impacto. Fontes de pesquisa: Sebrae, Primeiros Negros, Mundo Negro, Claudia, BagyBlog, Whow. AGRADECIMENTO: O Canal Preto gostaria de agradecer a participação de nossas convidadas. O Canal Preto gostaria de agradecer às nossas convidadas. Amanda Coelho (Diva Green) - Mulher preta, mãe, artista capilar, trançadeira, peruqueira e mayakeira. Carolina Pinto - Advogada, empresária, gerente jurídica em uma empresa de tecnologia e fundadora do RAS, primeiro salão de luxo especializado em tranças do Brasil. Taynara Alves - Formada em Gestão de Negócio e Inovação e sócia do RAS, primeiro salão de luxo especializado em tranças do Brasil. Racismo. Ou você combate, ou você faz parte. Qual dos dois é você?
Canal Preto 00:08:40
EP17 - Maternidades Negras

Maternidades Negras

Nas produções histórico-teóricas dos feminismos brancos ocidentais, a maternidade fora, em geral, conceituada como entrave à participação de mulheres nas lutas políticas por equidade, acesso a melhores oportunidades de trabalho e à própria realização pessoal. Da mesma forma, em outros prismas teóricos, à maternidade já se atribuiu a condição de ferramenta do patriarcado no controle social dos corpos de mulheres e pessoas com útero, sexual e reprodutivamente fundamental à replicação da força de trabalho e sua sobre-exploração pelo capital. No entanto, esta perspectiva universalizante do que é ser mulher, poder gestar ou maternar não é mais aceitável, em razão de pontos de vista epistemológicos outros e contribuições igualmente históricas, multifacetadas dos feminismos negro, indígena e decolonial, por exemplo, para as diásporas brasileiras. Assim, as problemáticas vivenciadas por mulheres, pessoas com útero, gestantes ou desta forma identificadas já não podem ser analisadas a partir de concepções feitas hegemônicas de feminismos ou outras teorias libertárias sobre mulheridades e maternalidades. A maternidade, ou a maternagem, pode ser fonte de redenção, potência e afeto, mas também de opressão, sobretudo por conta dos efeitos colaterais da precarização das condições de vida que afetam mulheres e pessoas que gestam negras brasileiras. Fontes de pesquisa: Cria para o Mundo, O mundo autista, Geledés, Revistas USP. AGRADECIMENTO: O Canal Preto gostaria de agradecer a participação de nossas convidadas. Luciana Viegas - Autista ativista. Mulher preta. Professora. TEDx Speaker. Colunista Revista Autismo. Idealizadora do Movimento Vidas Negras com Deficiência Importam (VNDI). Thainá Briggs - Assistente social formada pela UFF (foco em juventude periférica), gestora empresarial (MBA - Universidade Estácio de Sá), escritora, poetisa e coordenadora do premiado livro "Mães pretas. Maternidade solo e dororidade". Sarah Carolina - Criadora de conteúdo digital, mãe de três filhos pretos, pedagoga e educadora (maternância negra e criação positiva real), historiadora e pesquisadora da parentalidade. Marcele Oliver - Ativista, produtora, escritora, trancista e empreendedora social. Coordenadora editorial da obra "Tinha que ser preto" (Editora Conquista, 2022). Mãe, mulher e abrigo de Fayzah Badu. Pollyne Avelino - Produtora e empreendedora. Idealizadora do Mães de Wakanda. Mãe de Malik Abayomi. Racismo. Ou você combate, ou você faz parte. Qual dos dois é você?

Traumas Diaspóricos e Saúde Mental - Psicologia Preta, Traumas Histórico e Transgeracional

Ao limitar-se às conceituações brancas e europeias sobre saúde mental e sofrimento psíquico, a psicologia brasileira deixa de contemplar e tratar adequadamente 56% da população do país, compostas por negros e negras (IBGE). A subjetividade negra é ignorada na grande maioria das graduações em Psicologia, e um dos efeitos diretos disso são pacientes negros e negras vítimas de racismo pelos(as) profissionais que deveriam acolhê-los(as), incompreendidos(as) em suas questões, não escutados(as) e ouvidos(as) como pertencentes a um povo durante mais de 300 anos escravizado e só há 134 anos liberto. Diversos intelectuais negros e negras dedicaram-se à produção de conhecimento sobre os efeitos do racismo nas subjetividades negras. Já na década de 1940, a psicanalista Virgínia Leone Bicudo (1910-2003) realizou uma vasta pesquisa com negros(as) ascendidos(as) socialmente em São Paulo, que resultou na dissertação de mestrado intitulada "Atitudes raciais de negros e mulatos em São Paulo" (1945). O psiquiatra martinicano Frantz O. Fanon (1925-1961) escreveu, em seu trabalho clínico e acadêmico, o livro "Pele negra, máscaras brancas" ("Peau noire, masques blancs", 1952), originalmente sua rejeitada tese de doutoramento agora tornada referência nos estudos em saúde mental da população negra. Nos anos 1960/1970, no trabalho de psicólogos negros, como Dr. Wade Nobles (Ifagbemi Sangodare, Nana Kwaku Berko I) e Na'im Akbar (nascido Luther Benjamin Weems Jr., 1944), surge, nos Estados Unidos, a Black Psychology, ou Psicologia Preta, qual sendo a construção de teorias e práticas em psicologia clínica à luz das subjetividades negras e a ancestralidade africana. Nos anos 1980, a psicóloga e psicanalista brasileira Neusa Santos Souza (1948-2008) escreveu o livro "Tornar-se negro, ou as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social" (1983), em que fez a releitura de conceitos fundamentais da psicanálise a partir da experiência negra. Não há espaço aqui para o levantamento de todas as publicações sobre saúde mental negra ao longo da história; elegemos essas por se tratar de publicações de autores e autoras pioneiros no tema. Nossa convidada Andressa Cardoso, psicóloga (CRP 21/04104) graduada pelo Centro Universitário Santo Agostinho (UNIFSA-PI) seguidora da linha de abordagem cognitivo-comportamental (TCC), com atendimento direcionado à ansiedade, luto, população negra, autoestima e autoconhecimento, fala sobre o fortalecimento das redes de saúde, priorizando as desigualdades étnico-raciais. Shenia Karlsson, psicóloga clínica (membro efetiva da Ordem de Psicólogos de Portugal - OPP), mestre em Estudos Africanos pelo Instituto Superior de Ciências Políticas e Sociais (ISCSP, Universidade de Lisboa), colunista Revista Gerador, Diretora do Instituto da Mulher Negra de Portugal e cofundadora do Papo preta: saúde e bem-estar da mulher negra, afirma: "O conceito de traumas diaspóricos é uma experiência coletiva resultante de descontinuidades, desterritorialização, de movimentos migratórios, processos históricos, interrupções e distorções que geraram uma série de traumas na comunidade negra". Nossa convidada Joice Modesto, psicóloga com nicho de atuação em saúde mental da população negra e relações étnico-raciais, fala sobre os traumas histórico, transgeracional e o trauma que permanece em curso. Ariane Kwanza Tena, bacharel em Psicologia pela UFMT, mestre em Educação (UFMT/UFRRJ), com pesquisa em Psicologia Preta, fala sobre o fenômeno da psicologia moderna saída das ideias e abordagens ocidentais, citando Abdias Nascimento (1914-2011) e bell hooks (nascida Gloria Jean Watkins, 1952-2021). Fontes de pesquisa: Afrofuturo, Amazon e "Vivendo de amor" (hooks, 1994). O Canal Preto gostaria de agradecer a participação de nossas convidadas. Andressa Cardoso - Psicóloga (CRP 21/04104) graduada pelo Centro Universitário Santo Agostinho (UNIFSA-PI) seguidora da linha de abordagem cognitivo-comportamental (TCC), com atendimento direcionado à ansiedade, luto, população negra, autoestima e autoconhecimento. Shenia Karlsson - Psicóloga clínica (membro efetiva da Ordem de Psicólogos de Portugal - OPP). Mestre em Estudos Africanos pelo Instituto Superior de Ciências Políticas e Sociais (ISCSP, Universidade de Lisboa). Colunista Revista Gerador. Diretora do Instituto da Mulher Negra de Portugal. Cofundadora do Papo preta: saúde e bem-estar da mulher negra. Joice Modesto - Psicóloga com nicho de atuação em saúde mental da população negra e relações étnico-raciais. Ariane Kwanza Tena - Bacharel em Psicologia pela UFMT. Mestre em Educação (UFMT/UFRRJ), com pesquisa em Psicologia Preta. Especialista em Psiconutrição (Unyleya) atuante na área de formação, pesquisa e clínica na perspectiva da Psicologia Preta. Racismo. Ou você combate, ou você faz parte. Qual dos dois é você?

Amor Preto Enquanto Estratégia de Resistência

A intelectual e escritora bell hooks (nascida Gloria Jean Watkins, 1952-2021) tem vasta produção teórica a respeito do amor como elemento fundamental à disputa política e à sobrevivência (físico-espiritual, psíquica, material, subjetiva e emocional) da comunidade negra em diáspora. Este conceito é amplo e avança sobre relações afetivas não românticas, abarcando relações familial-parentais, de amizade e/ou travadas em quaisquer círculos sociais – embora a afetividade de tipo romântica (entre casais ou quaisquer outras formações semelhantes) também receba tratamento aprofundado. Em muitas de suas elaborações, hooks defende, de diferentes formas, que a população negra precisa combater "a falta de amor" ("Vivendo de amor", 1994). As relações afetivas cumprem um importante papel de superação das violências impostas por sociedades racistas. "Muitos negros, e especialmente as mulheres negras, se acostumaram a não ser amados e a se proteger da dor que isso causa, agindo como se somente as pessoas brancas ou outros ingênuos esperassem receber amor", escreveu a autora em 'Vivendo de amor' (1994). hooks encerra o texto, afirmando que "quando conhecemos o amor, quando amamos, é possível enxergar o passado com outros olhos; é possível transformar o presente e sonhar o futuro. Esse é o poder do amor. O amor cura". Para Roger Cipó, fotógrafo, Ogan e influenciador crítico preto, "qualquer ação de amor preto é um ato de cura, proteção e cuidado". Nosso convidado Renato Nogueira, escritor, professor de Filosofia do Departamento de Educação e Sociedade (UFRRJ) e ensaísta, fala sobre o amor como potência de restauração. Tati Brandão, palestrante, mentora e professora de Liderança Inclusiva, com foco na afetividade e escutatória (aprender a escutar de forma profunda e empática), afirma: "Hoje em dia, falar de amor, viver em amor, transbordar afeto, exercitar afeto são atos de coragem". Nosso convidado Adalberto Neto, jornalista, dramaturgo e influencer, vencedor dos Prêmios Shell, Ubuntu e Reconhecimento Popular pela peça "Oboró - Masculinidades negras", afirma: "O amor preto cura, porque esta troca de afeto entre pessoas iguais a nós só alimenta nossa autoestima". Fontes de pesquisa: Mundo Negro, UOL, Geledés, Carol Society. O Canal Preto gostaria de agradecer aos nossos convidados e convidada. Renato Nogueira - Escritor, professor de Filosofia do Departamento de Educação e Sociedade (UFRRJ) e ensaísta. Tati Brandão - Palestrante, mentora e professora de Liderança Inclusiva, com foco na afetividade e escutatória (aprender a escutar de forma profunda e empática). Adalberto Neto - Jornalista, dramaturgo e influencer. Vencedor dos Prêmios Shell, Ubuntu e Reconhecimento Popular pela peça "Oboró - Masculinidades negras". Racismo. Ou você combate, ou você faz parte. Qual dos dois é você?

Evasão Escolar - Um Risco À População Negra

Quase metade dos jovens negros de 19 a 24 anos não conseguiu concluir o Ensino Médio. De acordo com dados do IBGE, o índice de evasão escolar chega a ser de 44,2% entre os homens; um recorte de gênero e raça revela ainda que, sobre as mulheres negras da mesma faixa etária, o abandono escolar é uma realidade para 33% das jovens. A evasão escolar geralmente ocorre por conta da necessidade de uma renda extra, pois a população negra sofre com o ingresso forçado ao mercado de trabalho, fazendo com que jovens abandonem o ambiente escolar para ajudarem a família a garantir uma renda básica e sobreviver. Nossa convidada Joana Oscar, Gerente de Relações Étnico-Raciais da Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro, fala que ainda vivemos um resquício do processo de exclusão e marginalização tributário da escravização negro-africana no período colonial (1534-1822) e do período pós-abolição brasileiro (1888) e cita a necessidade de falar sobre acesso e garantia de permanência, aprendizagem e conclusão ao alunado da rede.

Dos Tabuleiros de Acarajé: Culinária Afro-Brasileira

As comidas e receitas de origem africana foram, depois de chegarem ao território brasileiro, modificadas em suas técnicas de preparo e adaptação de ingredientes, dando origem à culinária africana no Brasil – ou à gastronomia afro-brasileira. O acarajé é a comida africana mais famosa e popular que temos no país: um bolinho feito de feijão fradinho e frito no azeite de dendê, recheado com vatapá, caruru, camarão e molho de pimenta. Seu nome tem origem na língua iorubá – "acará" (bola de fogo) e "jé" (ato de comer), acrescentado posteriormente – e começou a ser vendido em tabuleiros nas ruas de Salvador (séculos 18 e 19). Nossa convidada Aline Chermoula, chef proprietária da Chermoula Cultura Culinária, pesquisadora da cozinha ancestral afrodiaspórica pelas Américas, professora na Gastromotiva, colunista Vogue Brasil e Site Mundo Negro, fala sobre a utilização das folhas na culinária africana, citando as mulheres quituteiras e ganhadeiras. Kanu Akin Trindade, Om? Ògún, biólogo, engenheiro de produção, cofundador do Dida Bar e Restaurante, afirma: "Eu acho que, dentro da diáspora africana, o acarajé simboliza como qualquer coisa que eles façam, qualquer coisa que tenham feito não é forte o suficiente para separar a gente de África. O acarajé simboliza muita potência".

Mulheres e Meninas Negras nas TECH

Estudos apontam que, há décadas, o campo da tecnologia reproduz as desigualdades de gênero já observadas no cotidiano social, associando homens ao desenvolvimento de tecnologias e às carreiras tecnológicas, enquanto, e frequentemente, mulheres eram invisibilizadas em suas trajetórias no setor. Infelizmente, ainda não existem dados precisos sobre o acesso da população negra às tecnologias e às ferramentas fornecidas pela Internet, tampouco seus hábitos de uso. Pesquisas de amplo espectro, como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) – Acesso à internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal, ou Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) em domicílios, por exemplo, não fazem recorte de raça. No que diz respeito às mulheres negras, especificamente, o Dossiê Mulheres negras: retrato das condições de vida das mulheres negras no Brasil, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA, 2013), e a Síntese de Indicadores Sociais (2018), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam para maiores restrições sentidas por mulheres negras em distintos segmentos, como acesso à moradia adequada, educação, proteção social, serviços de saneamento básico, tecnologias e comunicação. A exclusão da população negra é sentida também no campo de estudos de gênero, ciências e tecnologias. Esta área de conhecimento é hegemonizada por pesquisadores predominantemente brancos e brancas. As lacunas também se apresentam nos recortes de pesquisa, que raramente se debruçam sobre a intersecção entre raça, gênero e tecnologia.

Escrevivências - Da Representatividade Negra Feminina na Literatura

ESCREVIVÊNCIAS – DA REPRESENTATIVIDADE NEGRA FEMININA NA LITERATURA A literatura negra é a produção literária cujo sujeito da escrita é a própria pessoa negra. É a partir da subjetividade de negras e negros, de suas vivências e seu ponto de vista que se tecem as narrativas e poemas assim classificados (pela autoria e/ou enunciação negras). A pessoa negra aparece na literatura brasileira mais como tema que como voz autoral. Logo, a maioria das produções literárias brasileiras retrata personagens negras sob perspectivas que evidenciam estereótipos da estética branca dominante, eurocêntrica. Trata-se de uma produção literária escrita majoritariamente elaborada por autores e autoras brancos e brancas, em que o negro ou negra é objeto de uma literatura reafirmadora de estigmas raciais.

Dona Ivone Lara - 100 Anos

D. IVONE LARA - 100 anos Yvonne Lara da Costa (1922-2018), mais conhecida como Dona Ivone Lara, foi uma cantora, compositora e letrista brasileira, também denominada a "Grande Dama do Samba", e primeira mulher a integrar a ala de compositores(as) de uma escola de samba do grupo de elite do carnaval carioca, o G.R.E.S. Império Serrano. Formada em Enfermagem e Serviço Social (neste último curso, possivelmente, a primeira em todo país), Yvonne Lara teve papel importantíssimo na reforma psiquiátrica do Brasil, no bojo da luta antimanicomial, ao lado da médica psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999). A artista lançou cerca de 15 discos e dezenas de sambas. Entre seus maiores sucessos, estão "Sonho meu" (Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho), "Alguém me avisou" (Dona Ivone Lara) e "Acreditar" (Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho).

O Futuro das Cotas nas Universidades

A implantação das cotas sociais e raciais e demais ações afirmativas tem papel fundamental na diversificação racial dos corpos docente e discente dos bancos universitários (e do serviço público), na produção teórica/do conhecimento acadêmico-científico e de respostas mais complexas às questões sociais à brasileira, no avanço da justiça racial reparatória e de cidadania efetiva para as populações negras, incluindo-se quilombolas, e não negras historicamente subalternizadas pelo Estado – a exemplo dos povos indígenas e outras comunidades tradicionais (povos das águas, matas e florestas), pessoas com deficiência (PcD), trans e travestis.

NEGRITUDES, COLORISMO E REALIDADES RACIAIS À BRASILEIRA

Em um país altamente miscigenado, o colorismo organiza quase metade da população, distribuindo a sociedade em um gradiente de cores sob uma "mentalidade de superioridade branca". Ainda é muito difícil falar sobre colorismo, sobretudo para quem tem alguma origem mestiça, pois é falar sobre sua própria história, compreender, aceitar que ela está relacionada com o processo de violência colonial escravagista por que a história do Brasil está assinalada e, muitas vezes, defrontar-se com esta realidade pode ser um processo doloroso.

Salvador, cidade diaspórica

iáspora atlântica. A incessante busca de África na Bahia. A diáspora deve ser entendida como um fenômeno de deslocamento global de africanos e africanas no mundo. O deslocamento é entendido, assim, princípio da diáspora, por abarcar uma infinidade de elementos. A noção de diáspora africana é um processo dinâmico que está e sempre esteve associado à memória viva da escravidão, à experiência e à luta contra o racismo, ao sentimento de dupla consciência no qual o sujeito encontra-se dividido entre duas realidades.

Literatura Infanto Juvenil Afrocentrada, Representação Negra e Representatividade

A literatura infantil tem muito a contribuir para a construção da identidade. Por isso, é essencial que haja cada vez mais personagens principais negros e negras na literatura, para que crianças e adolescentes possam se identificar e construir visões de mundo mais amplas e realistas. Vivemos em um mundo tão diverso e rico por suas diferenças, que não faz sentido encontrarmos apenas uma pequena parcela da sociedade representada na literatura - pensando entre personagens e autoria destes livros.

Modernismo negro nas artes

A Semana de Arte Moderna teve como intuito transgredir o padrão eurocêntrico tradicional da época, em que apenas a elite branca fazia parte do seleto grupo de artistas. O movimento modernista não foi, porém, inclusivo, pois não representou a negritude brasileira, tampouco a comunidade indígena.

Março Negro: Marielle Franco, Carolina Maria de Jesus e Abdias Nascimento

Em 14 de março, nasceram duas vidas negras que, de tão potentes, o racismo não conseguiu apagar. Carolina Maria de Jesus e Abdias Nascimento nasceram no mesmo ano (1914) e cumpriram, ambos, uma caminhada de resistência traçada com arte, coragem e revolta. No mesmo dia, Marielle Franco foi brutalmente assassinada, fazendo com que, hoje, este dia nos mobilize contra o genocídio, a desigualdade, o preconceito e as inúmeras injustiças que assolam a população negra no Brasil.

A revolução feminina negra pelas afetividades

Como afirma bell hooks (1952-2021): "Muitas mulheres negras sentem que em suas vidas existe pouco ou nenhum amor. Essa é uma de nossas verdades privadas que raramente é discutida em público. Essa realidade é tão dolorosa, que as mulheres negras raramente falam abertamente sobre isso". Os impactos psicológicos deste preterimento são diversos e não se restringem exclusivamente aos relacionamentos amorosos; as amizades e o ambiente de trabalho podem gerar sentimentos que reforçam uma baixa autoestima da mulher negra. Nossa convidada Caroline Moreira, consultora de diversidade racial, mentora, CEO e Founder Negras Plurais, afirma que "falar de afeto é também falar de cuidado". Tati Cassiano, CEO e Founder Ubuntuyoga, afirma que "se permitir ser vulnerável é ser corajosa, a ponto de abraçar essa humanidade que nos é negada". Nossa convidada Sueide Kintê, jornalista griô, consultora e produtora cultural, ativista pelos direitos humanos das mulheres negras e poetisa, afirma: "Naturalizar a frustação como algo genuíno do ser humano é uma coisa que nos acalenta". Fontes de pesquisa: Geledés, Mundo Negro, Revista Marie Claire, Azmina, Redalyc.org e Correio Nagô. O Canal Preto gostaria de agradecer a participação de nossas convidadas: Caroline Moreira (Consultora de diversidade racial, mentora, CEO e Founder Negras Plurais) Tati Cassiano (CEO e Founder Ubuntuyoga) Sueide Kintê (Jornalista griô, consultora e produtora cultural, ativista pelos direitos humanos das mulheres negras e poetisa) Racismo. Ou você combate, ou você faz parte. Qual dos dois é você?

Carnaval, Cultura e Resistência

O Carnaval é cultura popular, fonte de liberdade de expressão, alegria, oportunidade e espaço de articulação e diálogo com a população, funcionando como instrumento de resistência e mudança social. Como afirma nossa convidada Leci Brandão, cantora, compositora e política brasileira: "As mídias precisam olhar para os grupos de samba femininos. Temos muitos grupos de samba femininos, mas que não são divulgados". Marcelo Argôlo, jornalista, pesquisador e idealizador do @popnegroba, afirma que "o carnaval de rua de Salvador é uma invenção da população negra". João Jorge Rodrigues, presidente do Bloco Afro Olodum, afirma que "1983 é um marco da história do Olodum, por não ter desfilado e se reinventado". Nossa convidada Millena Wainer, jornalista e cantora do G.R.E.S. Mocidade Independente de Padre Miguel, conta-nos sobre sua vivência como cantora de samba e afirma que "o samba amplia meus horizontes, ele me faz ser uma pessoa melhor". Fontes de pesquisas: Portal à Tarde, Correio Nagô, Museu Afro Rio, Agência Brasil, Laboratório Fantasma, Pop Prosa, Geledés, O Globo, Itaú Cultural, Revista Capitolina, Correio Braziliense, Fundação Cultural Palmares, Metrópoles, Pitaya Cultural, Tribuna de Minas, Efigênias, Revista Continente, Catraca Livre e Carnavalesco. O Canal Preto gostaria de agradecer a participação de nossos convidados: Leci Brandão (Cantora, compositora e política brasileira) Marcelo Argôlo (Jornalista, pesquisador e idealizador do @popnegroba) Millena Wainer (Jornalista e cantora do G.R.E.S. Mocidade Independente de Padre Miguel) João Jorge Rodrigues (Presidente do Bloco Afro Olodum) Racismo. Ou você combate, ou você faz parte. Qual dos dois é você?

Imigrantes e Refugiados Negros no Brasil

O Brasil é conhecido como uma nação acolhedora, porém tem dado passos em direção a uma política migratória mais restritiva. Nos últimos anos, o país testemunhou não apenas o estancar dos avanços, mas graves retrocessos, trazendo novamente à tona temas como as deportações sumárias e a criminalização da migração. No programa de hoje temos os convidados: DJ Dafro (DJ angolano); Lígia Margarida Gomes (Mestra em Desenvolvimento e Gestão Social, militante do movimento negro e membra da Diretoria da Sociedade Protetora dos Desvalidos - SPD): e Maria Cristina dos Anjos (Assessora Nacional para Migração - Cáritas brasileira).